v. 38 n. 84 (2023):

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                                                                                                                           EDITORIAL

 

A Revista da Escola Superior de Guerra, publicação vinculada ao Instituto Therezinha de Castro (ITC) e ao Programa de Pós-Graduação em Segurança Internacional e Defesa (PPGSID), apresenta – como temas de concentração – Defesa, Segurança Internacional, Relações Internacionais, Ciência Política e assuntos que lhes são transversais, temas estes capazes de aumentar as reflexões sobre esses recortes. Esta edição de número 84 é composta por artigos afinados ao espírito do momento (zeitgeist) e ao compromisso da Revista em acolher artigos de diferentes regiões do Brasil e do exterior. O propósito de nosso periódico é chamar o leitor para compartilhar da produção de nossos colaboradores e se tornar um deles. Pensar o Brasil é constante viagem nostálgica e prospetiva alicerçada no presente, construtor da matéria de memória de outrora e do tempo que está por vir.

No primeiro artigo, Amazônia Brasileira: considerações sobre uma política pública de Defesa para a região, Laryssa Lopes de Oliveira Barbosa e Jacintho Maia Neto analisam a construção de políticas públicas de defesa do Brasil para a Amazônia partindo da Política de Defesa no Brasil expressa na Política Nacional de Defesa (PND), na Estratégia Nacional de Defesa (END) e no Livro Branco de Defesa Nacional (LBDN) orientados pelos pressupostos de uma política pública de defesa para a Amazônia brasileira.

Jamylle de Almeida Ferreira, Alberto Toledo Resende, Glauce Batista Júnior e Amanda Pimentel Berk de Queiroz debatem sobre o uso dos recursos no território brasileiro, em defesa dos interesses nacionais como forma de exercitar a soberania garantida pela Constituição. Seu artigo Projeto Águas da Guanabara: pela defesa de uma baía que é fonte de sustento e tradição para inúmeras comunidades pesqueiras destaca a Federação dos Pescadores do Estado do Rio de Janeiro no quesito responsabilidade social, com a criação de um projeto de monitoramento de resíduos sólidos, o qual retirou da Baía de Guanabara cerca de 500 toneladas de resíduos sólidos de janeiro/2022 até julho/2023, complementando a renda dos pescadores associados das colônias Z-8 (Niterói, São Gonçalo e Itaboraí) e Z-9 (Guapimirim, Magé e Caxias).

Segurança e defesa são assuntos que ultrapassam o campo teórico, pois esses conceitos dependem de pessoal capacitado e motivado para operar sua execução no terreno. O soldado é quem viabiliza a segurança e a defesa. O artigo Avaliação de Desempenho de Oficiais da Força Aérea Brasileira (FAB) como Ferramenta de Fomento da Pesquisa Científica, escrito por Eduardo Alexandre Bacelar, Sandro Lucio Santana do Nascimento e Carlos Cesar de Castro Deonisio, verifica como o acréscimo de pontuação de origem acadêmica na Lista de Mérito Relativo (LMR) influenciou na procura por cursos de graduação e pós-graduação, lato e stricto sensu, em temas de interesse do Comando da Aeronáutica (COMAER), pelos Oficiais de carreira da Força Aérea Brasileira, entre os anos de 2018 e 2022. Com isso, os autores esperam contribuir para que a FAB possa readequar a pontuação extra ofertada decorrente de cursos de interesse do Comando da Aeronáutica (COMAER) realizados pelos oficiais de carreira, de forma a aumentar a motivação pelo aperfeiçoamento da capacitação de seu efetivo.

No quarto artigo, Fração de Tropa como Vetor de Inteligência em Operações de Garantia da Lei e da Ordem, os articulistas Fernando Vitor da Silva Neves, Klaus Peterson Doneda e Renata Machado Lopes analisam como as pequenas frações de tropa, empregadas em missões de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), podem contribuir para o assessoramento no processo decisório do comandante. Foi realizada uma pesquisa exploratória, adotando uma abordagem qualitativa, por meio de materiais relacionados à guerra irregular, GLO e inteligência. Ao final da pesquisa ficou constatado que o emprego de frações de tropa em atividades próximas à população, no Teatro de Operações (TO), fornece informações para auxiliar o comandante das operações de Garantia da Lei e da Ordem (OpGLO) na tomada de decisão.

Fernanda das Graças Corrêa, em Fusão Nuclear para Exploração Espacial: do lançamento e mineração à geração de energia e viagens interestelares, apresenta teorias geopolíticas do domínio do ar que subsidiaram o desenvolvimento de programas espaciais no século XX, debate o posicionamento de autores clássicos da física moderna, como Carl Sagan e Stephen Hawking, sobre a nova exploração espacial e identifica motivações de diversos Estados e organizações na atual corrida científica e tecnológica espacial. Seu estudo também problematiza a colonização de planetas e de luas que não apresentam condições de habitabilidade semelhantes às da Terra e detalha projetos de tecnologias de fusão nuclear controlada em andamento para exploração espacial. A pretensão da autora é identificar tecnologias disruptivas, como a de fissão e de fusão nuclear controlada, que assegurem a eficiente exploração espacial na era Lua-Marte.

No sexto artigo, As Novas Clivagens do Sistema Mundial: crise sistêmica e alianças fluídas, Paulo Fagundes Visentini propõe uma classificação que identifica a existência de quatro eixos de poder mundial: 1) o militar-rentista anglo-saxão, 2) o industrial desenvolvido semissoberano, 3) o industrial emergente semiperiférico e, 4) o agrário, mineral e demográfico periférico. O pesquisador também analisa a clivagem internacional que emergiu com a Pandemia Covid-19 e com a Guerra Russo-Ucraniana.

Em A Competição Estratégica Sino-Americana e a Dissuasão Integrada, Guilherme Lopes da Cunha, Guilherme Mattos de Abreu e Carlos Antonio Raposo de Vasconcellos investigam as características do conceito de Dissuasão Integrada no contexto macrorregional das Américas. Os pesquisadores se valeram de metodologia qualitativa que contempla observação participante, etnografia, análise de documentos e de discursos de autoridades.

No último artigo, O Papel do Congresso Norte-Americano no Governo Donald Trump (2017 – 2021): uma análise da atuação frente à guerra comercial com a China, Yasmim Abril Monteiro Reis e Erica Simone Almeida Resende constataram que a atuação do presidente dos Estados Unidos, conjuntamente com o Legislativo, variou de acordo com o seu comportamento no âmbito doméstico. Para realização da pesquisa as autoras supuseram que houve um certo grau de variação de influência do Congresso norte-americano ao longo dos quatro anos do governo Trump e passaram a verificar como o Congresso se comportou frente à guerra comercial com a China, tanto no contexto doméstico quanto no internacional. Com isso, chegaram à conclusão que o mandato do presidente Trump iniciou com uma relativa aprovação no senado, porém ao longo dos anos sua capacidade de aceitação decresceu.

Múltiplos assuntos, vinculados à linha editorial da Revista e ao Programa de Pós-Graduação em Segurança Internacional e Defesa, reverberam na revista mostrando opiniões diversas em busca de abarcar recortes temáticos sobre visões e ângulos distintos, porém sedimentados na ciência, o que credibiliza os artigos. As referências citadas nos artigos revelam opiniões provindas de teóricos de relevo nos cenários brasileiro e  internacional.

Ressaltamos que a aventura da leitura proporciona a mudança do mundo, mas livros, artigos, ensaios não mudam o mundo. O mundo muda, aperfeiçoa-se, humaniza-se por meio dos leitores que leem e refletem sobre o conteúdo lido. A equipe editorial agradece a todos que participaram da criação deste número e deseja que os artigos sejam úteis e aprazíveis aos leitores.

Boa leitura!

Publicado: 16-07-2024