v. 34 n. 71 (2019)

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Editorial

          Desde 1983, a Revista da Escola Superior de Guerra vem cumprindo sua missão de divulgar trabalhos da própria Escola, de Instituições congêneres e de demais Agremiações Acadêmicas do Brasil e do exterior. O compromisso com a cientificidade provocou transformações, acomodações e atualizações com intuito de acompanhar a célere evolução científica e tecnológica e, também, de obter, a cada exemplar, sua qualidade reconhecida pelo órgão responsável pela avaliação e estratificação das revistas científicas: Qualis-Periódicos ou Qualis/CAPES, mantido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de NívelSuperior (CAPES). Tornou-se, portanto, quadrimestral; alargou a participaçãode autores de outros estados e do exterior e continuamos em busca de aprimoramento para nossa revista.

          Entre as linhas editoriais prezadas pelo periódico, há duas multifacetadas que estão constantemente na nossa órbita editorial: Defesa e Segurança Nacionais. Neste número, o leque de temas ligados a esse binômio ampliou-se para caminhos que há muito não constam do nosso sumário: saúde alimentar e transversalização de gêneros no meio militar, a mulher militar. Tal fato nos levou a evocar esses temas para abrirem o segundo periódico de 2019.

          Em Capacidade em defesa alimentar nas Forças Armadas Brasileiras: abordagem sistêmica, os autores Fernanda Carvalho Peixoto e Cristiano Barros de Melo discorrem sobre a vulnerabilidade das reservas de água e de alimento e como o colapso no fornecimento dessas reservas pode ser usado como importante meio de desestabilização e dissuasão de uma força militar. A capacidade em defesa alimentar é observada de modo sistêmico e representa fator determinante na sustentação e apoio ao combate. O artigo subsequente – Transversalização de gênero nas Forças Armadas Brasileiras: uma abordagem multicultural, produzido por Aldner Peres de Oliveira e Rejane Pinto Costa – objetiva conferir, sob o método científico do multiculturalismo, como a transversalização de gênero, a presença da mulher militar, que tem sido assimilada pelas Forças Armadas brasileiras e “seu impacto na segurança, defesa e desenvolvimentos nacionais”.

          Os dois textos ulteriores dialogam por meio da tecnologia e da ciência, e a partir delas ganham rumo próprio. O terceiro – Uma proposta do relacionamento entre a guerra cibernética e o terrorismo no contexto informacional e seus reflexos para as infraestruturas críticas –, de Dardano do Nascimento Mota e de Fernanda Antônia da Mota, traz para debate uma análise sobre a possível analogia entre o terrorismo e a guerra cibernética no âmbito informacional. O quarto artigo – E-bomb na defesa nuclear do Exército Brasileiro em cenários de guerra: uma análise sobre a relação ciência, tecnologia e poder nos séculos XX e XXI, advém das pesquisas de pós-doutorado realizadas por Fernanda das Graças Correa. Este texto, com base na política internacional, expande o debate acerca do desenvolvimento de bombas de pulso eletromagnéticas, como arma dissuasória possível de ser empregada na defesa nuclear do Exército Brasileiro.

          Ainda no eixo segurança e defesa, o estudo de Flávio Diniz Pereira e Patrícia de Oliveira Matos faz um recorte direcionado à Amazônia e ao Atlântico Sul. O quinto texto Segurança e Defesa na Amazônia, no Atlântico Sul e o Poder Aeroespacial aborda o quanto essas áreas estratégicas e as riquezas nelas existentes necessitam ser protegidas, conforme descreve a Política de Defesa Nacional.

          José Cimar Rodrigues Pinto, no sexto texto, Apogeu, ruptura e ocaso do intervencionismo armado no Brasil, “entrega” ao leitor uma instigante afirmação: “O Brasil até a instauração do Regime Civil e Militar de 31 de março de 1964 conviveu com o golpismo militar, o qual assolou todo o período republicano e contribuiu para corromper qualquer pretensão democrática no Brasil”.

          O sétimo artigo intitulado A contribuição de San Tiago Dantas para a democracia, autonomia e desenvolvimento do Brasil, de Amauri Pereira Leite e Eurico de Lima Figueiredo, tece uma análise da obra do Professor Williams da Silva Gonçalves sobre o ideário e a contribuição de San Tiago Dantas para a formação da matriz teórica do pensamento social e político do Brasil.

          O artigo que encerra este exemplar aborda uma temática em voga nas mídias há algum tempo. A corrupção enquanto fenômeno mundial e fonte de financiamento das novas guerras retrata, como os demais artigos desta revista, o olhar e a análise de seu autor. Reis Friede analisa aspectos próprios da corrupção no cenário brasileiro no âmbito da Operação Lava Jato, assim como, de forma comparativa-dedutiva associa a corrupção às “Novas Guerras”.

          Estamos, pois, diante de uma revista que, por ser composta de artigos de vários autores com perfis acadêmicos diferentes, é capaz de incitar, a cada artigo, debates, outras leituras e, quem sabe, a feitura de um outro texto sobre o mesmo tema, porém com um outro olhar. Todos os artigos, no entanto, conduzem à célula-mãe: a Defesa.

          Boa leitura e estamos à disposição de articulistas!

Maria Célia Barbosa Reis da Silva

Publicado: 08-08-2020

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