v. 33 n. 67 (2018)

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Editorial

 

O término da edição de uma revista científica significa a consolidação de um trabalho de equipe tanto por parte da editora como também por autores, pareceristas. Fecha-se uma edição, mas, em paralelo, a edição seguinte já está em curso. É um trabalho contínuo, ao mesmo tempo árduo e gratificante. Quando o periódico encerra seu ciclo de produção e chega às mãos do leitor, inicia-se o ciclo da recepção, do diálogo entre texto, leitor e autor. A aceitação de um periódico está ligada à atualização temática dos artigos, à fluidez do enunciado, à titulação do articulista, ao grau de cientificidade das publicações e à pertinência à linha editorial: critérios também mensurados para a classificação no Qualis.

O endereço eletrônico dos autores tem como fito estimular o diálogo entre as partes envolvidas. Almejamos à aproximação entre os que dedicam parte do seu tempo ao trabalho acadêmico-intelectual, ao estudo e à descoberta de novos conhecimentos e à divulgação do resultado de suas investigações. Cremos que a Ciência não é monopólio de alguns, circunscrito a uma turma de iniciados que, pelo contrário, ela deve estar à disposição de todos que, de alguma forma, queiram compartilhar desse saber em constante movimento.

Esta Revista assume como missão transmitir à sociedade e à academia os resultados de estudos e pesquisas. Com o recém-criado Programa de Pós-Graduação em Segurança Internacional e Defesa (PPGSID) da Escola Superior de Guerra (ESG), nosso periódico adquire uma das finalidades basilares de um Programa em processo de avaliação: divulgar artigos de professores e alunos do Programa, da Escola e de outras Instituições de Ensino Superior cujo eixo temático seja atinente à Defesa.

Neste fascículo, os dois primeiros textos versam acerca da segurança no estado do Rio de Janeiro. O texto inicial – As Forças Armadas, a Garantia da Lei e da Ordem e a Intervenção Federal –, de autoria de Reis Friede, explica, em consonância com o texto constitucional e com a legislação infraconstitucional, como se realiza, por ordem expressa da Presidência da República, a participação das Forças Armadas em operações da garantia da lei e da ordem (GLO). O autor também no correr da escritura do texto apresenta as possíveis consequências jurídicas desse tipo de situação de excepcionalidade. O texto denominado A crise de segurança pública do Rio de Janeiro: um impasse para o federalismo nacional, assinado por Luiz Carlos Ramiro Junior, conversa com o precedente ao traçar um diagnóstico da singularidade do colapso da Segurança Pública no estado do Rio de Janeiro. O articulista enfatiza “a crise de autoridade local, que leva a um entrecruzamento de competências e, por conseguinte, as consequências de um federalismo impróprio”.

As três escritas subsequentes têm em comum os documentos que discorrem sobre a Defesa. Também mostra a semântica elástica e múltipla do vocábulo Defesa que se faz presente em debates cotidianos e de várias áreas do saber. Signo que explode nas ruas e nas academias, que motiva embates por parte de leigos e de iniciados. O terceiro texto intitulado A materialidade dos instrumentos de defesa na Amazônia, rubricado por Eduardo Siqueira Brick, Bernardo Salgado Rodrigues e  por Neila Sousa, aborda a Amazônia brasileira como uma fronteira crescentemente valorizada e muitos desafios e complexidades para enfrentar. Os autores fazem uma leitura da região a partir materialização dos instrumentos de defesa e, por conseguinte, dos documentos Estratégia Nacional de Defesa (END) e Livro Branco de Defesa Nacional (LBDN), que destacam “a necessidade de modernização das Forças Armadas, de suas diretrizes estratégicas e do desenvolvimento nacional” tendo como prioridade a Região Amazônica. O quarto artigo sob o título de O Poder Aeroespacial e a Estratégia Nacional de Defesa (END), escrito por Ivan Muniz de Mesquita, evidencia os fundamentos do Poder Aeroespacial e apresenta as principais atribuições da Força Aérea Brasileira auferidas pela Estratégia Nacional de Defesa (END). O quinto texto nomeado Gestão estratégica de Defesa: hipóteses de emprego versus capacidades, rubricado por Maria Filomena Fontes Ricco e Fábio Sahm Paggiaro, disserta sobre as questões atinentes à passagem do conceito-chave Hipóteses de Emprego, seguido no modelo de gestão estratégica de defesa no Brasil, para o conceito-chave Capacidades, conceito assimilado pelos Estados Unidos da América, países da Organização do Tratado do Atlântico Norte e Austrália. “No Brasil, esta questão surgiu na Estratégia Nacional de Defesa de 2008 e permanece inconclusa no Ministério da Defesa, para o que este relato pretende contribuir”.

O sexto apresenta duas versões em Português e Espanhol, é um texto científico de alerta sobre assunto que submerso nas profundezas da Web é desconhecido por muitos usuários da Internet: A criminalidade na Deep WEB, cujo autor Flaviano de Souza Alves mostra, de forma didática, a rede de atos criminosos existentes na Deep Weeb e almeja apresentar os riscos a que os cidadãos estão expostos. O tema tem despertado crescente interesse, nos meios acadêmicos, militares, nas áreas de Defesa e Segurança e em áreas policiais.

O penúltimo texto Formação militar: reflexões sobre a abordagem da inteligência cultural, criado por Alessandra Veríssimo Lima Santos e Marta Maria Telles, discorre sobre a Inteligência Cultural na formação dos militares das Forças Armadas brasileiras. Em um mundo globalizado com miríades de informações espargindo de e para todos os cantos do planeta, a importância de conhecer culturas distintas e saber com elas dialogar torna-se fundamental, o que requer aprendizado e treinamento.  

O último texto O impacto da Guerra do Contestado no ideal reformador do Exército e na Política de Defesa Brasileira, assinado por Eduardo Rizzatti Salomão, traz, 112 anos depois de seu término, à mesa de debates “o impacto da Guerra do Contestado (1912-1916) nas políticas de modernização e reorganização do Exército Brasileiro no século XX”. O autor ainda tece considerações sobre mentalidade militar e o papel do Exército na sociedade brasileira.

Textos previamente apresentados no aguardo da leitura e, por conseguinte, das reflexões e sugestões que podem advir do contato entre artigos e público.

Publicado: 08-08-2020