Sobre a Revista

A Revista da Escola Superior de Guerra é um periódico quadrimestral, que publica trabalhos originais e inéditos, com foco em Defesa Nacional, Ciência Política e Relações Internacionais.

 

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Revista da Escola Superior de Guerra passa do estrato B1 para A3 na classificação do Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), avaliação quadrienal 2021–2024

29-01-2026

A conquista intelectual no espaço acadêmico constitui-se menos como resultado de mérito isolado do que como efeito de posições ocupadas em um campo estruturado por relações de força, no qual o capital científico acumulado legitima disposições, consagra trajetórias e delimita as possibilidades de produção e reconhecimento do conhecimento (Bourdieu, 2004).

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Edição Atual

v. 40 n. 90 (2025)
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                                                                          APRESENTAÇÃO

 

A edição número 90, volume 40, da Revista da Escola Superior de Guerra apresenta artigos que giram em torno do eixo das transformações contemporâneas da guerra, da estratégia e da segurança, contempladas sob as dimensões: teórica, geopolítica, operacional, jurídica e socioambiental. Este exemplar, ao agrupar artigos de espectros diferentes, mas que conversam entre si, propõe uma análise das revoluções tecnológicas que concede um novo olhar sobre os conflitos que afligem a humanidade no segundo decênio do século XXI. Rótulos diferentes nomeiam as guerras e, ao mesmo tempo, desenham um novo mapa geopolítico.

O artigo Da Batalha ao Cérebro: guerra cognitiva, teorias de relações internacionais e vulnerabilidades do Sul Global, de Laura Haas Noal e Naiane Inez Cossul, abre este número e estabelece o cenário baseado no conceitual quando examina a emergência da guerra cognitiva como portadora de poder. O centro de gravidade dos conflitos passa para a esfera mental, que capta e filtra as informações e/ou falas sobre os conflitos. O texto fornece a possível interpretação para compreender as dinâmicas atuais da disputa internacional.

Em seguida, o artigo Entre a Espada e o Coração: uma releitura da trindade paradoxal aplicada à insurgência, a partir de Friedman, de Eduardo de Castro Saar, trata da insurgência como fenômeno político-social complexo. Espelhando a tradição clausewitziana, o artigo demonstra como os conflitos irregulares articulam violência, legitimidade, apoio popular e informação, conectando-se diretamente ao ambiente cognitivo, exposto no artigo anterior.

Agregando os planos teórico e discursivo, o terceiro artigo A Negação da Agência: a construção discursiva da Europa Central e Oriental como ‘espaço pós-soviético’ e de ‘crises’, de Erica Simone Almeida Resende, amplia o debate e examina como narrativas e enquadramentos simbólicos moldam percepções estratégicas e relações de poder. O texto, por coincidência ou não, mostra que o domínio cognitivo se manifesta na linguagem e na produção de sentidos no sistema internacional.

O próximo artigo Reminiscência dos Bombardeiros Estratégicos na Geopolítica Contemporânea: TU-95, B-52 e a atualização do imaginário estratégico, de Matheus Felipe Alves dos Santos Lima e Daniel Abreu de Azevedo, analisa a permanência de resíduos clássicos de poder aéreo. O texto demonstra como instrumentos tradicionais são ressignificados em um contexto estratégico em constante mutação, acoplando passado e presente na lógica da dissuasão.

Em continuidade, Rotas Marítimas Árticas e Relações Comerciais Brasileiras, de Paulo Eduardo Câmara e Letícia Caroline da Luz, lança o olhar para o domínio marítimo e para as implicações geoeconômicas das mudanças climáticas. Novas rotas e fluxos comerciais surgem como opções de comércio e troca, o que amplia a discussão estratégica para o campo logístico e econômico, evidenciando como o ambiente físico também redefine o poder.

No plano das estruturas institucionais, Política Nacional de Defesa e Estratégia Nacional de Defesa sob a Perspectiva de Clausewitz: análise documental (2012-2024), de Guilherme de Araújo Grigoli, traz a teoria de outrora para o contexto de agora, evidencia a coerência entre objetivos políticos e capacidades estatais. O texto provoca o diálogo entre teoria e prática, avaliando como o Estado brasileiro traduz conceitos estratégicos em diretrizes concretas.

A dimensão normativa e operacional é aprofundada em Entre o Dever e o Risco: a responsabilização penal dos executores das medidas de policiamento do espaço aéreo, de Hellen Cristina Figueiredo e Ivan Muniz de Mesquita, que analisa os desafios jurídicos enfrentados pelos agentes da defesa aeroespacial. Abordando a tensão entre legalidade e ação operacional, o artigo revela os limites e as necessidades de proteção institucional no exercício da soberania.

Fechando a edição, Exposição TransforMAR - 2ª Edição: divulgação científica, educação socioambiental e resiliência territorial em área estratégica da Baía de Guanabara, de Jamylle de Almeida Ferreira e Valéria Pereira Bastos, amplia o horizonte da segurança e da defesa à dimensão socioambiental. O artigo evidencia que, em um contexto de crise climática, a segurança nacional também se constrói por meio da educação, da ciência e do fortalecimento das comunidades locais, levando exposições para onde as pessoas passam.

Dessa forma, a Revista 90 propõe uma leitura integrada dos desafios contemporâneos, demonstrando que a guerra e a estratégia, hoje, ultrapassam o campo estritamente militar, envolvendo dimensões cognitivas, econômicas, jurídicas, ambientais e sociais. O conjunto dos artigos convida o leitor a refletir sobre a complexidade do cenário atual e sobre abordagens interdisciplinares para a compreensão e a atuação no campo da defesa.

Publicado: 08-07-2026
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