Edição Atual

v. 35 n. 73 (2020)
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        O número 73, volume 35 da Revista da Escola Superior de Guerra, em sintonia com o derredor, sai emocionalmente comovido com a pandemia do Coronavírus e da sua versão Covid 19, que atingiu duramente quase todas as latitudes do nosso planeta. O Brasil vive momento agudo de subida da curva. Todos nós, de alguma forma, sabemos que, pós período pandêmico, nada será como antes. Acontecimentos, como este, deixam sequelas e ensinamentos para a humanidade. A Comunidade Científica de qualquer área se move na corrida para a descoberta de testes e de vacinas, que poderão restituir um pouco de normalidade e tranquilidade ao homem.
        Na maioria dos debates midiáticos e virtuais, os impactos da pandemia do novo Coronavírus (Covid-19) nas relações internacionais e na geopolítica – fechamento de fronteiras, xenofobia e nos seus desdobramentos econômicos e políticos mundiais são mencionados e são objetos de análise. Sabe-se do enfrentamento que a América Latina tem no futuro próximo: os novos desafios de um mundo globalizado e em mudança, especialmente diante de uma pandemia, igualmente globalizada. As economias do mundo sofreram grandes reveses e, em particular, a economia latino-americana. Muitas famílias perderam entes queridos, amigos, conhecidos, vizinhos. O toque físico distanciou-se, mas o afeto e a empatia talvez tenham se estreitado. Esta revista registra nossa solidariedade com o povo brasileiro e com os demais habitantes do planeta que sofreram e sofrem as intempéries trazidas com este vírus e desejamos que, muito breve, voltemos a uma normalidade amistosa, com interesses comuns. Ainda mais: o número 73 sai com atraso, porque mudamos o meio de comunicação entre os atores da Revista (editores, autores, pareceristas etc.) o que ocasionou um impacto na entrega para o grande público deste número.
        Com o espírito aberto às novas pesquisas, aos novos artigos que delas advêm, apresentamos nosso periódico do primeiro quadrimestre de 2020. Os dois artigos iniciais tratam de gerenciamento de crises de diferentes naturezas. O texto inicial – Logística humanitária: uma análise da atuação das Forças Armadas Brasileiras em resposta ao desastre natural na Região Serrana do Rio de Janeiro em 2011, de Aniele dos Santos Farroco e Isabella Sequetto Terror, aborda a capacidade de auxílio das Forças Armadas em situações de coordenação de crise, tendo como exemplo o desastre da Região Serrana do Rio de Janeiro, causado pelas fortes chuvas. O segundo estudo O gerenciamento de uma situação de crise: o caso da Operação de Resgate de reféns “Chavín de Huantar” em 1997, Lima (Peru), assinado por William Arturo Vega Mendoza, Helmut Ramírez Braun e Leonardo Perin Vichi, descreve a gestão de uma crise por parte do Governo Peruano diante da operação de resgate de reféns na Embaixada do Japão, que fora tomada pelo Movimento Revolucionário Tupac Amaru em 1996. O texto detalha cada passo do Governo frente à situação, bem como o que pôde ser aprendido com o desenrolar do caso.
        A terceira pesquisa redunda numa escritura denominada, A Organização para cooperação de Xangai e o combate ao terrorismo: contribuições para a relação indo-paquistanesa, cujos autores Matheus Moraes Alves Marreiro e Ricardo Pereira Cabral, diante da problemática do antiterrorismo, buscam investigar a Organização para cooperação de Xangai e o contexto conflitante de países recém integrados na organização, que apresentam uma rivalidade desde sua formação como Estados Modernos, em decorrência da disputa de território da região de Jammu e Caxemira.
        O quarto artigo em três versões (Português, Espanhol e Inglês) – Agricultura como componente da Política de Segurança Nacional Brasileira, de Daniel Vidal Pérez e Fortunato Lobo Lameiras – traz à tona como o drama advindo da fome pode superar as mortes em uma guerra convencional e, portanto, o quanto “a alimentação de uma nação deveria ser considerada como assunto da Segurança Nacional”. Este texto alarga o conceito de questão alimentar para o âmbito da Segurança Nacional. O quinto artigo, Segurança e Defesa no Brasil: desafios complexos e a demanda por respostas integradas, de Daniel Mendes Aguiar Santos, Fernando Augusto Valentini da Silva e Alexandre dos Santos Gallera, segue o escopo do texto anterior, trata de esforços contributivos para o incremento do nível de Segurança Nacional e tem o objetivo de examinar os principais desafios e respostas que têm transpassado o espectro da Segurança e Defesa no Brasil. Também o sexto estudo – Estratégia de defesa e os reflexos na Indústria de Defesa: o modelo norte-americano e as perspectivas brasileiras, de Idunalvo Mariano A. Jr e Tássio Franchi – continua no campo de Defesa, e adota o caminho da comparação. Dessa forma, põem lado a lado o modelo brasileiro com o modelo norte-americano, indicando a seguir que o Brasil possui uma sistemática, e não um modelo propriamente dito.
        O sétimo texto O pensamento militar no projeto Brasil grande potência, de João Miguel Villas-Bôas Barcellos, alega que as Forças Armadas, em sua modalidade política e estratégica, tiveram um papel no projeto de modernização e desenvolvimento nacional. O texto analisa as principais ideias e momentos em que as Forças, e principalmente o Exército brasileiro, se colocaram diante da responsabilidade desse processo de modernização.
        Encerrando este número, ainda com Segurança Nacional na vitrine, há um texto que convida o leitor a fazer Uma abordagem crítica acerca do Processo Educacional Brasileiro, enquanto instrumento de Segurança Nacional. O autor Jorge Arantes realiza um questionamento diverso do elástico tema da educação e de sua importância para a formação da cidadania do povo que o torna instrumento vital para Segurança Nacional do país.
        Almejamos que estes artigos propiciem aos leitores o prazer do texto, tão apregoado pelo escritor, sociólogo, crítico literário, semiólogo e filósofo francês Roland Barthes.

                                                                                                                               Maria Célia Barbosa Reis da Silva

Publicado: 04-08-2020

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