Sobre a Revista

A Revista da Escola Superior de Guerra é um periódico quadrimestral, que publica trabalhos originais e inéditos, com foco em Defesa Nacional, Ciência Política e Relações Internacionais.

 

Notícias

Revista da Escola Superior de Guerra passa do estrato B1 para A3 na classificação do Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), avaliação quadrienal 2021–2024

29-01-2026

A conquista intelectual no espaço acadêmico constitui-se menos como resultado de mérito isolado do que como efeito de posições ocupadas em um campo estruturado por relações de força, no qual o capital científico acumulado legitima disposições, consagra trajetórias e delimita as possibilidades de produção e reconhecimento do conhecimento (Bourdieu, 2004).

Saiba mais sobre Revista da Escola Superior de Guerra passa do estrato B1 para A3 na classificação do Portal de Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), avaliação quadrienal 2021–2024

Edição Atual

v. 40 n. 89 (2025)
					Visualizar v. 40 n. 89 (2025)

                                                                                       APRESENTAÇÃO

A Revista da Escola Superior de Guerra, publicação vinculada ao Instituto Therezinha de Castro (ITC) e ao Programa de Pós-Graduação em Segurança Internacional e Defesa (PPGSID), proporciona – como temas de concentração – Defesa, Segurança Internacional, Relações Internacionais, Ciência Política e outros recortes desses núcleos que com eles dialoguem. Priorizamos temas atuais cujos olhares críticos estão sendo forjados concomitante aos acontecimentos e às urgências que deles emanam. O passado, no entanto, é história vivida e suporte do presente. Portanto, não deixamos de evocar autores e fatos do passado que, comparados com os de hoje, nos fazem compreender a agoridade e procurar acertar as ações do que vem para frente. Simone de Beauvoir, com outras palavras, ratifica que o fugidio presente não é um passado em potência, ele é o momento da escolha e da ação.

A coletânea de artigos selecionados pelos nossos pareceristas e pela Equipe Editorial apresenta coerência temática e permite uma disposição de textos, que começa com o mar e a defesa do território nacional, passa pelos fundamentos históricos e jurídicos da defesa, e chega aos conflitos contemporâneos e seus impactos geopolíticos e humanos. Com esse painel múltiplo e interdisciplinar, pretendemos mostrar o quanto a defesa, a segurança internacional e as relações internacionais vão além dos muros disciplinares estabelecidos e o quanto desejamos oferecer ao nosso leitor textos sobre óticas diversas e convergentes.

Este número abre com o artigo Exposição TransforMAR: divulgação científica e fortalecimento identitário dos pescadores artesanais da Baía de Guanabara, de Jamylle de Almeida Ferreira, exposição da qual a ESG, por meio da Revista, participou. O texto exibe a noção de defesa para além do campo estritamente militar, articulando soberania, meio ambiente, ciência e identidade comunitária, tendo como atores a Baía de Guanabara e os pescadores artesanais, introduzindo, com isso, um aspecto de defesa ampliada, em que a preservação ambiental, a memória institucional e o pertencimento social são compreendidos como dimensões estratégicas do território. Funciona, portanto, como um marco ético e político para os textos subsequentes.

O segundo texto, O Uso da Inteligência Artificial no Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul (SISGAAZ): oportunidades e desafios, de Rachel Soares, Thays Oliveira e Isadora Braga, aprofunda a discussão sobre o mar como espaço estratégico, agora sob a ótica da tecnologia e da defesa nacional. O estudo articula soberania, inovação e vigilância, demonstrando como a Inteligência Artificial pode potencializar o monitoramento da Amazônia Azul, se usada de maneira correta. O texto dialoga diretamente com o artigo anterior ao mostrar que proteção ambiental e segurança nacional não são agendas opostas, mas complementares no século XXI.

O texto seguinte, A Legitimidade e Legalidade da Espionagem Internacional na Visão de Grotius, Hobbes e Oppenheim: uma análise exploratória, de Alfredo Ribeiro Pereira, ressalta papel fundacional ao oferecer um lastro teórico-jurídico para práticas centrais da segurança e da defesa. Ele utiliza teóricos clássicos do pensamento político e do Direito Internacional e estabelece o liame da tradição e contemporaneidade, concedendo categorias analíticas capazes de auxiliar na compreensão dos sistemas tecnológicos modernos e, também, dos conflitos interestatais discutidos nos artigos posteriores.

O próximo artigo, A Missão Militar Francesa de Aviação no Brasil: a influência da França em uma nova arma do exército brasileiro (1918–1932), assinado por Benoît Pouzoulet, Carlos Alberto Rattmann e Guilherme Sandoval Góes, consagra o eixo histórico-militar deste número, analisando a Missão Militar Francesa de Aviação. O texto lança luzes sobre os processos de transferência de saberes militares, dependência tecnológica e influência estrangeira na formação das Forças Armadas brasileiras. A análise histórica contribui para compreender dilemas atuais da defesa nacional, especialmente no âmbito da autonomia estratégica.

O quinto artigo, A Correlação de Forças Político-Econômicas Durante o Estado Novo (1937–1945) e a Participação Brasileira na Segunda Guerra Mundial, de Demétrius Morales Garcia, Humberto José Lourenção e Gisele Heloise Barbosa, beirando a sequência dos demais artigos deste periódico, proporciona a análise da inserção do Brasil em conflitos globais, destacando as tensões internas, ideológicas e econômicas do Estado Novo. O texto contribui para a compreensão da construção da soberania brasileira em contexto de guerra e modernização do Estado, dando prosseguimento aos debates contemporâneos sobre alinhamentos internacionais.

O sexto texto, A Indústria Espacial Russa: entre o legado e a modernização, de Luciano Vaz Ferreira, traça o entrecruzamento entre o passado e o presente, trazendo a análise histórica para o campo da alta tecnologia e da geopolítica contemporânea. O artigo, por meio da indústria espacial russa, ilumina os limites estruturais herdados da Guerra Fria e seus impactos estratégicos atuais, anunciando os próximos dois artigos sobre o conflito russo-ucraniano.

O sétimo texto, As Violações de Direitos Humanos na Invasão Russo-Ucraniana: reflexos da Guerra Fria no cenário atual, de Caio Silva Guimarães e Raimundo Augusto Fernandes Neto, adentra no conflito russo-ucraniano, abordando suas consequências humanitárias e jurídicas. Ele associa geopolítica, memória da Guerra Fria e Direito Internacional, realçando a persistência de lógicas de confronto do século XX no cenário do século XXI, focando nos marcos normativos e nos direitos humanos.

O artigo Trauma, Soberania e Geopolítica: os impactos psicossociais do conflito russo-ucraniano e os desafios para o Brasil, de Eduardo Rizzatti Salomão, encerra este número desviando o olhar do plano estratégico para o plano humano e psicossocial, mirando a dimensão geopolítica. Ao refletir sobre os impactos do conflito e suas implicações para o Brasil, o texto lega-nos um pensamento além do vencedor e do vencido, um pensamento humano que não pode ser abandonado. O autor revolve temas como soberania, diplomacia e responsabilidade internacional: um final continuativo, tanto na revista como no tema, ratificando a ideia de que guerra e defesa ultrapassam o campo militar e atingem profundamente as sociedades.

Que todos os leitores desfrutem do prazer dos textos!

                                                                                                                               Maria Célia Barbosa Reis da Silva

Publicado: 13-05-2026

Expediente

Ver Todas as Edições